Evolução dos Dados Econômicos no Brasil

Evolução Dos Dados Econômicos Do Brasil


O quadro apresentado mostra a evolução dos principais números da Economia Brasileira, marcando-os a cada período presidencial. O registro tem fim meramente histórico, desprovido de qualquer conotação política, pois a frieza dos números esconde as conjunturas econômicas que os geraram. A intenção é perenizar o quadro, aperfeiçoando-o e ampliando-o para períodos futuros e, mesmo, para o passado, neste caso quando dispusermos de dados confiáveis para todas as informações.

I – Relações com o exterior

Os primeiros dados informam sobre as relações com o exterior, e a razão de abrirem nossa discussão deve-se ao fato de que estas relações, com a globalização mundial, se tornaram fator determinante no desenvolvimento de praticamente todos os países.

Vê-se que em 16 anos o comércio exterior brasileiro cresceu consideravelmente, passando de 76,6 bilhões em 1994 para 383,6 bilhões de dólares em 2010. Neste cenário, cresceram em importância na pauta de exportações brasileiras os produtos básicos, que em 1994 representavam cerca de 36% do total, e passaram em 2010 a representar 53%, embora em termos absolutos os produtos manufaturados tenham crescido, entre estes anos, de 25 para 79 bilhões de dólares. Os números do comércio exterior foram influenciados positivamente pela entrada da China no comércio mundial, importando grande quantidade de produtos básicos, cujos preços foram à estratosfera. Por outro lado, negativamente, aqueles números foram duramente atingidos pela crise mundial de 2008, que fez nosso comércio exterior retroceder 22% em 2009, atingindo mais diretamente os produtos manufaturados.

A acumulação de superávits comerciais nestes últimos anos, aliada aos fortes investimentos estrangeiros no País, possibilitou uma grande acumulação de reservas cambiais, superando nossa dívida externa e valorizando sobremaneira o Real.

II – Dados da Produção

Também foi muito boa a performance da produção brasileira no período considerado, ajudada pelo boom do comércio exterior e pelo crescimento do mercado interno. A expansão do crédito para o empresário e para o consumidor foi fator preponderante neste cenário. O fortalecimento do mercado interno foi tão importante que, no período da crise mundial de 2008, a produção brasileira pôde dele se socorrer para não sofrer tanto dos seus malefícios.

Chamam nossa atenção também o crescimento em mais de 100% da produção de grãos, o aumento do consumo de energia elétrica e a surpreendente produção de bens de capital, este último fator fundamental para a sustentabilidade do crescimento econômico.

III- Mercado de Trabalho

O mercado de trabalho brasileiro foi fortemente influenciado pelo desempenho do País no comércio exterior e pelo aumento das produções industrial, agrícola e do setor de serviços. Em todos os níveis houve o crescimento do emprego, mas a grande conquista se deu nas classes salariais inferiores, antes sem renda ou com ela bastante reduzida. Além do aumento do emprego, também houve grande ganho salarial em decorrência do fim da inflação a partir de 1994, com o Plano Real. Este ganho salarial se consolidou com o aumento da oferta de emprego, resultando em grande aumento da massa salarial no final do período, o quê, por sua vez, acabou influenciando no fortalecimento do mercado interno. Em duas linhas do quadro apresentado, optamos por mostrar dados que abrangessem apenas a FIESP. Isto ocorreu apenas para contar com dados mais seguros e ao longo de uma série maior.

O aumento real do salário-mínimo no período contribuiu decisivamente para melhor distribuição de renda no País, visto que a massa de empregados que adentrou ao mercado de trabalho o fez preponderantemente nos níveis inferiores da escala salarial. Este fato, é bom que se observe, se refletiu no pouco crescimento do salário médio.

IV – Inflação e carga tributária

A vitória sobre a inflação foi a grande marca da gestão de nossa Economia no período considerado. Foi, sem dúvida, o primeiro passo para o País atingir o grau de investimento em que hoje se encontra, tornando-se uma das maiores economias do mundo. Esta vitória, no entanto, tem exigido vigilância permanente, sempre feita através da política monetária do Banco Central, com o uso da taxa de juros (taxa SELIC), que chegou a atingir 46% a.a. na época da luta contra a inflação. Apesar da grande redução que ocorreu, a taxa de juros no Brasil ainda é uma das mais altas do mundo. Ela nos causa uma despesa anual da ordem de 150 bilhões de reais, em muito contribuindo para o aumento de nossa dívida interna, que era de apenas 60 bilhões em 1994. No período, a dívida deixou de ser indexada ao dólar, passando, preponderantemente, a ser pré-fixada ou indexada pela própria SELIC, e fazendo, assim, com que nossa política cambial não venha a sofrer nenhum tipo de limitação em relação à dívida interna. Ao longo do período analisado a carga tributária no Brasil cresceu consideravelmente, sempre se tentando resolver nossas contas com o aumento de impostos, ao invés de se diminuir as despesas governamentais.

V – Mobilidade social

A história da distribuição de renda no Brasil é muito triste, pois o País, ao longo do século passado, sempre ocupou as últimas colocações no ranking de desigualdade social mundial. Esta história só começou a mudar na década de 90, quando tivemos o início da estabilização da Economia. O fim da inflação melhorou muito a vida dos pobres do País, mas a desigualdade social somente começou a reduzir-se concretamente a partir de 2001, acentuando-se em 2004, com o fortalecimento do mercado de trabalho (mais renda e emprego), valorização do salário mínimo, transferências sociais e aumento da renda previdenciária. Entre 2002 e 2010 a quantidade de pessoas nas classes D e E reduziu-se em mais de 18 milhões. A estratificação apresentada (utilizada pela Fundação Getúlio Vargas) atribui as seguintes rendas às classes: Classe A- acima de R$6.745,00; B- entre R$6.745,00 e R$5.174,00; C- entre R$5.174,00 e R$1.200,00; D- R$1.200,00 e R$751,00. E- até R$751,00

VI – Renda nacional

O Produto Interno Bruto é a soma de todas as riquezas produzidas no País e vê-se que ele mais do que triplicou entre 1994 e 2010, tornando-se o sétimo no ranking mundial. No entanto, nestes 16 anos, o crescimento real do País foi de apenas 65,2%, o que daria uma média anual em torno de 3,2%. O que explica o crescimento do valor do PIB além daqueles 65,2% é a valorização da moeda brasileira em relação ao dólar no período considerado. A mesma explicação pode ser dada para o crescimento do PIB per capita, mas aí reforçada pelo decréscimo do aumento da população. Por outro lado, há que se observar que o aumento do poder de compra do Real em relação às outras moedas favorece significativamente quem detém a posse da moeda brasileira: embora não favoreça nossas exportações, a valorização da moeda ajuda muito no aumento da produtividade da Economia, permitindo a importação de insumos e bens de capital que em outra situação não seriam acessíveis. A taxa de investimento em relação ao PIB decresceu no meio do período, mas agora procura se recuperar. De qualquer modo, ela ainda é baixa e afeta negativamente a sustentabilidade do nosso desenvolvimento, e contribui para nos sentirmos permanentemente ameaçados pela inflação e pelos gargalos de nossa infra-estrutura. Nossos economistas dizem que o ideal seria que esta taxa flutuasse sempre em torno de 25%.

 

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